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segunda-feira, 4 de agosto de 2025

NOVOS AMIGOS


 

Escrevi este poema quando trabalhei com crianças especiais de todas as idades.

 

Hoje ao olhar para vocês,

não sabia o que fazer.

Diferentes são? Talvez.

Alguns apenas me olharam,

outros sorriam para mim

ou apenas em minha direção.

Um me tocou, criei coragem e o toquei também.

Vocês me olhavam com curiosidade,

talvez porque eu também

seja diferente aos seus olhos.

Como saber o que pensam todos vocês?

Mas que diferença isso faz,

quando eu estou fugindo dos pensamentos

daqueles que comigo se parecem?

Porque procurar nos seus olhos

o brilho da inteligência

se este não foi um dos motivos

de eu ter-lhes procurado?

Não quero que vocês me olhem

e pensem qual deve ser o seu próximo gesto.

Com o passar do tempo,

tocando-os, sorrindo-lhes

e tentando me aproximar,

logo descobri a primeira coisa maravilhosa

de muitas que sei encontrarei em vocês.

A tranquila honestidade de querer ou não

estar junto de mim.

Oh! Deus! Que deliciosa sensação receber aquele olhar tímido,

aquele forte aperto de mão,

a ansiedade em querer ser tocado/a por mim.

Um abraço repentino e até a tentativa de um beijo.

Estou um pouco amedrontada

com o que estou sentindo.

Seria medo de amar?

De ser amada?

As duas coisas?

Sem preconceito, sem barreiras,

sem planos, nem obrigações?

Sim, porque vocês são exatamente assim.

O “agora” é o que importa. Este momento.

Este toque, este abraço, este sorriso.

Amanhã haverá outros?

Para vocês não importa.

Vocês são especiais

e sou eu que me sinto diferente.

Quando estou junto de vocês,

olho o mundo dos normais lá fora e fico confusa.

Porque no meu mundo de pessoas normais

não encontro esta sensação de honestidade que encontro junto de vocês?

Esta seria a diferença entre nós?

Vocês, seres rejeitados, isolados, magoados,

não colocam barreiras por medo de se arriscarem novamente

a receberem um carinho.

Se colocarem, logo as derrubam.

Outros criam barreiras mais resistentes,

mas nestas barreiras está escrito

com letras invisíveis;

DERRUBEM, QUEBREM, ARRANQUEM.

Nós seres inteligentes, não criamos somente barreiras

quando somos magoados.

Criamos armas perigosas,

que muitas vezes ferem mais do que fomos feridos.

Rejeitamos, magoamos, criticamos

e tudo na mais perfeita consciência,

porque temos certeza de que queremos ferir.

E como ferir.

E a pior dessas armas chama-se: PALAVRAS.

Quem for ferido com esta arma,

dificilmente será curado.

Falei que tinha muito que aprender

trabalhando com vocês.

Só falei. Na realidade senti.

Estes são sentimentos de pessoas normais.

Agora começo a vislumbrar a longa caminhada

que terei que percorrer para conseguir entender

a grandeza do mundo de vocês.

Talvez nunca consiga, não sei.

Talvez nunca consiga sequer dar a vocês

um pouco do que me deram hoje.

Mas se às vezes eu receber um abraço igual

ao que recebi hoje e conseguir,

por um milagre de Deus,

retribuir com o mesmo amor

e desprendimento que senti de vocês,

já terei aprendido o suficiente para toda uma vida.


Poema do livro "Amor, Idioma Universal". Izilda


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