Sempre
que começamos a fazer algo por alguém, seja o que for, precisamos ter em
mente que só podemos doar aquilo que temos.
Se quisermos que
alguém, por exemplo, se acalme num momento de discussão, de desentendimento,
precisamos antes de qualquer coisa, cultivar em nosso íntimo também a calma, a
tranquilidade, o bom senso.
Se desejarmos que
um filho seja uma pessoa honesta, altruísta, amorosa, feliz, busquemos dentro
de nós se já possuímos tudo isto. Mas atenção para não se enganarem. Se todos
possuíssem as qualidades de que se gabam o tempo todo, o mundo seria realmente
o paraíso sonhado. Não haveria discórdias de maneira alguma. E não é isto o que
se vê. Mesmo querendo ser honestos e autênticos, acabamos por esbarrar sempre
nos nossos falsos valores, os quais acreditamos fielmente.
Então na falta de
não conseguirmos sermos sinceros com nós mesmos, façamos um trabalho diário
conosco para que possamos transmitir aquilo que vivemos diariamente e não
apenas a teoria.
Quando pensamos em
desequilíbrio, logo nossa memória busca aspectos alheios que nos darão material
que possibilitará expressarmos nossa opinião e indignação contra aqueles os
quais causaram inúmeros transtornos a nós e a sociedade em geral. Mas esta
opinião esta moldada de acordo com os valores adquiridos em nossa vida social,
familiar e religiosa.
O quanto somos
escravos e submissos destes valores, determina nossa indignação e revolta
contra aqueles que não se moldam aos mesmos valores como nós.
Enganamos-nos dizendo
que o nosso modo de pensar, agir e viver é o mais adequado criticando
incansavelmente as atitudes alheias.
Agora peço a todos
que busquem na memória pessoas que acreditando estarem certas em suas
convicções, cometeram atos abomináveis contra outros. Contra nações, contra a
natureza e animais indefesos, contra mãe, pai, filhos, esposas e maridos,
namorados e namoradas, empregados e patrões, escravos e senhores ou mesmo
contra um completo estranho atacando-o e invadindo sua vida, seu corpo, com
palavras, atos e as mais variadas ofensas, agressões, torturas até o ato de
tirar a vida de outro ser.
Essas pessoas, não
importando a justificativa que lhes forem atribuídas, acreditaram em algum
momento, ou durante todos os momentos de suas vidas, que estavam "certos",
que eram capazes de ditarem regras, normas, leis e que, seja lá quem fosse que
estivesse sob seu jugo, fossem obrigados a obedecer cegamente.
Estes, os quais
conseguiram se lembrar, eram marginais? Psicopatas? Passaram fome, foram
violentados, espancados, torturados durante a infância, a adolescência, ou
mesmo na vida adulta?
Ou ao contrário,
tiveram uma vida cheia de mimos e regalias e quem sabe estes foram estragados
pelo excesso?
Poderia escrever
páginas e páginas, livros e livros e depois de anos de pesquisa sobre isto não
conseguiria chegar ao fim porque a cada palavra, sentença, página que escrevo,
em algum lugar neste planeta, mais e mais atos insanos e abomináveis estão
sendo cometidos por pessoas que acreditam estarem certas e o que é ainda pior
não admitem em nenhum momento, nem mesmo por hipótese, estarem errados. Ou
mesmo que possa existir outro modo de verem as coisas, de resolvê-las.
Elas estudam e
enriquecem seu vocabulário com todas as respostas aceitáveis para convencer os
outros de suas ideias. Ideias estas que vemos variar cada vez mais rápido, de
acordo com a mudança de partido político, religião, família, amigos, empregos,
namorado/a, moradia (mudança de cidade, estado, país ou até mesmo de um bairro
para outro) condição social ou intelectual.
A verdade de cada
um está no momento em que cada um vive a sua própria vida colocando sempre em
primeiro lugar os seus desejos. Até mesmo suas necessidades alardeadas, na
maioria das vezes são ditadas principalmente para sua satisfação insaciável e
não realmente por uma real precisão.
O filho do vizinho
que mata merece ser linchado, morto e outras coisas mais nunca pensadas antes.
E se este for defendido, a ira popular volta-se contra aquele que faz o seu
trabalho a mando de uma lei válida para todos.
Mas quando o
próprio filho mata logo se corre a procurar um advogado para defendê-lo.
A dor alheia é
sempre mais leve em comparação a nossa.
O
"outro" sempre estará em desvantagem em suas atitudes, em relação a
nós, as nossas atitudes, dependendo, é claro, sempre do quanto isto nos
beneficiará. Não podemos ficar mal perante os olhos alheios, mesmo que estes
olhos sejam de pessoas que vivem enganando a todos e principalmente a si mesmo,
porque afinal de contas eles são no íntimo iguais a nós.
Todos enganam, se
enganam e o que considero pior ainda, sabem disso, só não admitem, nem para si
mesmos.
Então, antes de
pensarmos em ajudar alguém, olhemos para nós mesmos e nos ajudemos a criar
dentro de nós mais saúde espiritual, mais sentimentos altruístas, mais amor e
menos preconceito.

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