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domingo, 30 de setembro de 2018

AJUDA AO PRÓXIMO




          Sempre que começamos a fazer algo por alguém, seja o que for, precisamos ter em mente que só podemos doar aquilo que temos.
Se quisermos que alguém, por exemplo, se acalme num momento de discussão, de desentendimento, precisamos antes de qualquer coisa, cultivar em nosso íntimo também a calma, a tranquilidade, o bom senso.
Se desejarmos que um filho seja uma pessoa honesta, altruísta, amorosa, feliz, busquemos dentro de nós se já possuímos tudo isto. Mas atenção para não se enganarem. Se todos possuíssem as qualidades de que se gabam o tempo todo, o mundo seria realmente o paraíso sonhado. Não haveria discórdias de maneira alguma. E não é isto o que se vê. Mesmo querendo ser honestos e autênticos, acabamos por esbarrar sempre nos nossos falsos valores, os quais acreditamos fielmente.
Então na falta de não conseguirmos sermos sinceros com nós mesmos, façamos um trabalho diário conosco para que possamos transmitir aquilo que vivemos diariamente e não apenas a teoria.
Quando pensamos em desequilíbrio, logo nossa memória busca aspectos alheios que nos darão material que possibilitará expressarmos nossa opinião e indignação contra aqueles os quais causaram inúmeros transtornos a nós e a sociedade em geral. Mas esta opinião esta moldada de acordo com os valores adquiridos em nossa vida social, familiar e religiosa.
O quanto somos escravos e submissos destes valores, determina nossa indignação e revolta contra aqueles que não se moldam aos mesmos valores como nós.
Enganamos-nos dizendo que o nosso modo de pensar, agir e viver é o mais adequado criticando incansavelmente as atitudes alheias.
Agora peço a todos que busquem na memória pessoas que acreditando estarem certas em suas convicções, cometeram atos abomináveis contra outros. Contra nações, contra a natureza e animais indefesos, contra mãe, pai, filhos, esposas e maridos, namorados e namoradas, empregados e patrões, escravos e senhores ou mesmo contra um completo estranho atacando-o e invadindo sua vida, seu corpo, com palavras, atos e as mais variadas ofensas, agressões, torturas até o ato de tirar a vida de outro ser.
Essas pessoas, não importando a justificativa que lhes forem atribuídas, acreditaram em algum momento, ou durante todos os momentos de suas vidas, que estavam "certos", que eram capazes de ditarem regras, normas, leis e que, seja lá quem fosse que estivesse sob seu jugo, fossem obrigados a obedecer cegamente.
Estes, os quais conseguiram se lembrar, eram marginais? Psicopatas? Passaram fome, foram violentados, espancados, torturados durante a infância, a adolescência, ou mesmo na vida adulta?
Ou ao contrário, tiveram uma vida cheia de mimos e regalias e quem sabe estes foram estragados pelo excesso?
Poderia escrever páginas e páginas, livros e livros e depois de anos de pesquisa sobre isto não conseguiria chegar ao fim porque a cada palavra, sentença, página que escrevo, em algum lugar neste planeta, mais e mais atos insanos e abomináveis estão sendo cometidos por pessoas que acreditam estarem certas e o que é ainda pior não admitem em nenhum momento, nem mesmo por hipótese, estarem errados. Ou mesmo que possa existir outro modo de verem as coisas, de resolvê-las.
Elas estudam e enriquecem seu vocabulário com todas as respostas aceitáveis para convencer os outros de suas ideias. Ideias estas que vemos variar cada vez mais rápido, de acordo com a mudança de partido político, religião, família, amigos, empregos, namorado/a, moradia (mudança de cidade, estado, país ou até mesmo de um bairro para outro) condição social ou intelectual.
A verdade de cada um está no momento em que cada um vive a sua própria vida colocando sempre em primeiro lugar os seus desejos. Até mesmo suas necessidades alardeadas, na maioria das vezes são ditadas principalmente para sua satisfação insaciável e não realmente por uma real precisão.
O filho do vizinho que mata merece ser linchado, morto e outras coisas mais nunca pensadas antes. E se este for defendido, a ira popular volta-se contra aquele que faz o seu trabalho a mando de uma lei válida para todos.
Mas quando o próprio filho mata logo se corre a procurar um advogado para defendê-lo.
A dor alheia é sempre mais leve em comparação a nossa.
O "outro" sempre estará em desvantagem em suas atitudes, em relação a nós, as nossas atitudes, dependendo, é claro, sempre do quanto isto nos beneficiará. Não podemos ficar mal perante os olhos alheios, mesmo que estes olhos sejam de pessoas que vivem enganando a todos e principalmente a si mesmo, porque afinal de contas eles são no íntimo iguais a nós.
Todos enganam, se enganam e o que considero pior ainda, sabem disso, só não admitem, nem para si mesmos.
Então, antes de pensarmos em ajudar alguém, olhemos para nós mesmos e nos ajudemos a criar dentro de nós mais saúde espiritual, mais sentimentos altruístas, mais amor e menos preconceito.

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