Perdoar
é deixar passar, deixar ir sem deixar rastros. É uma forma de pensar. Existem
outras tantas que podem expor o perdão de todas as maneiras que cada um desejar
e aceitar. Pensemos então nesta maneira.
Quando
você se sente vítima de alguém ou de algo, então acredita que este alguém, ou
este algo que pode ser definido como uma situação, uma entidade invisível ou
outra definição que queira, você sente-se vulnerável. Alguém vulnerável pode
ser ferido tanto interna como externamente. E quando nos sentimos feridos,
precisamos olhar de frente para o nosso algoz a princípio para nos defendermos
e depois para termos alguém ou alguma coisa para culparmos pela nossa dor.
O
homem não tem como regra de sobrevivência o hábito de procurar a causa de suas
dores em si mesmo. É claro que hoje se procura a causa das doenças nos hábitos
diários como alimentação deficiente, vida sedentária entre outras coisas. Há
algumas décadas o cuidado com a mente e as emoções e o estudo profundo do
interior do ser humano, vem sendo também foco de muitos estudos e pesquisas.
Então hoje se procura mais a causa das doenças físicas, mentais e emocionais
dentro da própria pessoa do que fora dela, como se fazia antes. Mas na rotina
diária isso ainda não se tornou um hábito o qual se faz uso consciente.
Mas
o momento pelo qual o ser humano está passando, o está empurrando de encontro a
um entendimento mais profundo sobre isso.
Podemos
pensar também que grande parte das causas dos desencontros, desajustes e
desequilíbrios entre todos, seja dar ao outro a culpa pelas próprias dores.
Sei
que pode ser muito difícil para uma mulher pensar que a dor sentida pela
agressão tanto física quanto moral de seu parceiro contra si, não seja causada
somente por ele e sim por ela haver sintonizado com a agressão em algum momento
e a atraído para si.
Isso
não quer dizer que ele não tenha a sua própria responsabilidade pelos seus atos
pelos quais precisa responder na justiça dos homens e também e com certeza
responderá na justiça divina chamada causa e efeito. Mas para que a mulher
afaste de sua vida a energia de violência a qual pode estar sintonizada, ela
precisa procurar a cura para a causa de suas dores dentro de si. Isto é
imprescindível porque ela poderá amenizar esta sintonia por um determinado
tempo e trazê-la de volta mais tarde e/ou até em uma próxima reencarnação e
continuar a sofrer com a violência alheia ou até mesmo tornar-se uma pessoa
violenta, como forma de defender-se. Isto foi e ainda é uma crença antiga em
que para defender-se é necessário atacar.
Estamos
vivendo em outros tempos em que o cérebro humano, já mais desenvolvido,
consegue alcançar entendimentos mais profundos e muito mais satisfatórios sobre
o porquê de tantos sofrimentos existentes.
Deixar
ir algo que o machucou não quer dizer guardar dentro de si e não falar sobre o
assunto ou viver apontando o culpado por seus infortúnios ou mesmo dizer que
perdoa, mostrando-se uma alma nobre quando dentro de si permite que o ódio e o
rancor comande sua vida trazendo, além de doenças para o seu corpo, o amargor
nos dias que poderiam ser de felicidade e muitas alegrias.
Procurem
de todas as maneiras que encontrarem tratarem-se intimamente para compreenderem
o porquê dos atos alheios, o porquê deles nos ferirem e/ou nos incomodarem, o porquê
não deixarmos ir aquilo que nós mesmos já fizemos a outros ou com certeza
podemos ainda fazer, dependendo de uma série de circunstâncias que envolvem a
vida desde que ela desponta.
Quando
pensarem e sentirem de coração que podem perdoar, deixar ir, já estarão no
caminho de compreender e com certeza se tornarão pessoas mais tolerantes diante
das fraquezas humanas as quais você também possui.
Pensem
que perdoar é aprender com as falhas alheias. Isto os ajudará a aprender muito
mais com as suas próprias falhas. Assim não precisarão fazer muito esforço para
tolerar tudo o que costumam criticar nos outros e em vocês mesmos.

