Para quem sente solidão,
o dia é tedioso e a noite ansiosa.
Amontoamos pensamentos,
expressamos em palavras
e ficamos procurando quem as ouça.
Mas elas não são ouvidas e as perdemos.
Às vezes pensamos que encontramos
alguém para ouvi-las.
Ficamos ansiosos para dividir
o que nos vai dentro da alma.
Trocamos as palavras,
os pensamentos escondem-se,
acontece os desencontros e ela, só ela,
a solidão, nos faz companhia novamente.
O que é você, amiga solidão?
Às vezes um alívio,
outras uma dor que machuca o peito.
Um dia você aparece quando estou só,
de outra vez quando há tantos a minha volta.
A única coisa que você faz
com que eu saiba da tua presença,
é quando sinto a falta de algo.
Às vezes penso que é amor,
outras que é a presença de outro alguém.
Mas você é grandiosa e forte demais
para me causar somente dor.
Acho que a tua presença é apenas um alerta.
Você quer que eu descubra o que procuro.
Eu sei que sou eu que te procuro.
Penso que só você tem as minhas respostas.
Você diz: “Elas estão dentro de você.”
E eu, surda, procuro lá fora e é você que encontro.
Ah! Amiga solidão!
Se você pudesse me acompanhar,
lá dentro de mim!
Mas quando me aventuro a vasculhar
este labirinto que é o meu coração,
você nunca está presente
e mesmo assim não sinto tua falta.
Então sinto como é bom não ter
aquela dor que me faz tão triste.
E isto me faz lembrar de você.
Volto correndo ao teu encontro,
porque não quero que você
sofra como eu sofri tantas vezes,
se eu não estiver junto de ti.
E tudo volta a ser como sempre foi.
Um dia pegarei em sua mão e a obrigarei
a me acompanhar em minha busca.
E quando encontrar o que procuro,
você estará comigo.
Juntas ficaremos para sempre,
porque você e eu seremos uma só.
E nada, nada mais me faltará.
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