Sentado
a beira de imenso lago, belo homem contemplava-se.
O
seu reflexo nas águas límpidas, dava-lhe uma sensação de estar vendo outro
homem.
Este
outro lhe sorri e lhe pergunta, com os seus olhos perspicaz:
-
Olá amigo! Vês quem és?
-
Não - responde o outro em pensamento porquê teme que alguém o ouça e diga por
ai que um louco fala sozinho - não vejo porquê não o reconheço.
-
É porquê esta sempre a olhar os outros. Esqueces de olhar para si. Venha todos
os dias neste mesmo horário que lhe contarei quem és.
O
homem que se mirava, embora espantado, pois até ele já se imaginava louco por
estar conversando com alguém na água, concordou e prometeu que no dia imediato
lá estaria.
Antes
de o sol nascer, no dia seguinte, lá estava ele novamente a se mirar nas águas
adocicadas e esperar ansioso que o outro começasse a lhe contar quem eras.
O
tempo foi passando e nada. Só conseguia ver a imagem de um homem ansioso e
curioso aguardando algo acontecer.
Minutos,
horas e nada.
Então já cansado de esperar começa a chorar.
- Porque ele não volta? Já estava até
simpatizando com ele.
- Porque não vens, imagem imaginária e conta-me que sou?
Esta
frase já é dita em voz alta, porquê não mais o importava se alguém o ouviria ou
não. Só o que lhe interessava era o homem das águas ouvi-lo.
Saiu
dali quando o sol começava se por.
Desiludido
chegou a sua casa e deitado em um leito qualquer pensava consigo:
"Acho
que talvez esteja enlouquecendo. Falar com o meu próprio reflexo como se outro
fosse."
A
noite se fez dia. O homem foi atrás dos seus afazeres porquê já perderá tempo
demais em ficar admirando águas paradas.
A
noite chegou e o homem deitou novamente para descansar o seu corpo fatigado.
Sonhou
que estava a beira do lago novamente e quando olhou para o seu reflexo nas
águas, agora movimentadas, aquele estranho, que agora parecia-lhe mais
conhecido olhava-o de forma quase rancorosa.
-
O que foi? - disse o homem da terra - porque me olhas assim com tanto rancor?
Foi você que não apareceu outro dia. Eu estava aqui.
O
homem das águas disse:
-
Você não veio até onde eu estava. Veio apenas até o lago, porque acreditou que
eu estaria aqui. Não vês que estas sonhando? Acordas que me encontrarás.
O
homem terra acordou em sua cama muito agitado e transbordando de suor. Parecia
que estivera até nadando no lago do sonho.
Levantou
e olhou lá fora.
O
dia anunciava um sol brilhante que começava a envolver a terra com seus
primeiros raios.
-
Mas que beleza! Como esta visão é linda! Que tranquilidade que esta hora me
trás!
Quando
muitos dormem eu já estou acordando. E que paz sinto. Como é bom acordar com
esta bela paisagem à minha frente.
Pensando
isto, sentou-se em sua humilde cadeira, junto a tosca mesa que fazia parte do
seu lar. Olhou a volta e vil um lápis e um papel de pão. Apossou-se dos dois e
escreveu:
"O
sol nasce agora e junto dele as vidas despertam. Ah! Que lindas estas cores que
lembram frutas frescas, águas cristalinas e o alimento da vida: ar!
Que
cheiro de relva molhada pelo orvalho da noite, que agora repousa para que o seu
amado, o sol, continue o seu trabalho de doar vida a obra encantada de
Deus".
O
homem vida olhou para o que escrevera e sorriu.
"Grande
poeta estou me saindo. Parece até que nunca vi um sol nascer antes".
Sentindo-se
muito bem disposto, retomou os seus afazeres, interrompidos no dia anterior por
razões naturais e esqueceu-se de tudo o mais.
A
noite, cansado mas sentindo uma alegria sem causa aparente, deitou-se e não
esqueceu de agradecer a Deus pelo dia maravilhoso que lhe rendeu prosperidade e
saúde.
"Ah!
- disse ele sentando-se rapidamente na cama como se tivesse esquecido algo
importante - e obrigado pelo lindo nascer de sol!"
Deitou-se
novamente com um sorriso nos lábios, talvez se achando um pouco infantil por
conversar com Deus daquela maneira.
Cerrou
os olhos e adormeceu com um leve sorriso iluminando seu rosto adulto.
Novamente
se viu no lago. Mas não saberia explicar porque não foi ver seu reflexo nas
águas brilhantes.
Ouviu
alguém muito feliz rindo e brincando nas águas do lago.
Aproximou-se
já sabendo quem iria encontrar.
Mas
para sua surpresa o homem das águas abundantes não estava lá. No lugar do seu
reflexo viu um menino estranhamente muito parecido com ele. Agora, olhando mais
atentamente, o garoto era ele quando criança.
-
Mas o que faz você ai, rindo e brincando feito criança? Não vês que cresceste?
-
Sim, você cresceu - disse o garoto das águas coloridas pelo sol - mas eu
continuo criança, vivo e feliz. Agora só falta você se juntar a mim.
Encontrarás o que estava procurando na primeira vez que aqui chegaste.
O
homem vida despertou, mas agora não mais assustado e nem suado. Somente molhado
das águas de Deus e com um puro sorriso no seu rosto infantil.
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