Poema escrito por alguém que desencarnou e encontrou o seu amor em um plano mais denso onde denomina-se umbral.
Passei grandes momentos ao lado de meu amor.
Caminhávamos, de mãos dadas,
ouvindo o som de toda a natureza.
Conversávamos enquanto
olhávamo-nos nos olhos
e víamos sempre a nós mesmos,
refletido no outro.
Grande foi a minha felicidade ao reencontrá-lo.
Foi um dia de muita chuva onde ele vivia.
Fui entrando de mansinho a procurá-lo.
Disseram-me que lá ele se encontrava.
Era um lugar sombrio e naquele dia,
mais parecida noite,
pois o sol há muito havia se escondido.
Ansiosa fui procurando-o.
Olhava em todos os rostos,
tão sofridos e endurecidos.
Corria o olhar à procura de meu doce
e inesquecível amor.
Procurei, procurei, procurei.
Até que parei num lugar e, me ajoelhando,
implorei a Deus que me ajudasse a encontrá-lo.
Senti uma imensa paz
e tranquilidade dentro de mim.
Tive certeza de que seria atendida.
Levantei os olhos, os quais havia abaixado,
chorando que estava
quando o desespero me abateu.
Neste momento eu o vi.
Ele estava sentado em uma grande pedra.
Afastado do caminho que eu havia trilhado.
Levantei-me e dele me aproximei.
Não contive a grande emoção e
lágrimas inundaram o meu rosto
e igualmente meu coração.
A alegria de vê-lo comparava-se
a tristeza de presenciar o sofrimento do meu amor.
Quantas saudades senti!
Quanto havia sonhado com este momento.
Desde que voltei ao meu lar,
sonhava em encontrá-lo.
Sabia que afastado de mim ele estava
e permaneceria até quando, não sabia.
Concordei em aguardar o momento certo,
o qual eu poderia ajudá-lo com toda a certeza.
Agora havia chegado o grande momento.
Lá estava ele.
Sentado, cabeça baixa,
senti-o imensamente angustiado.
Pobre amor.
Há muito ele havia voltado para o seu lar.
Infelizmente para um lar muito triste.
O lar daqueles que não conseguem prosseguir
em sua caminhada na terra,
até que o Pai nos leve para junto dele.
Quanto sofria, eu o sentia!
Aproximando-me, toquei-o no ombro.
Ele levantou a cabeça
e parecia não me reconhecer.
Minhas lágrimas tornaram-se mais abundantes.
Ele continuou me olhando e eu pedi:
- Amor, olhe para mim. Não me reconhece?
Ele olhou-me e olhou-me
e voltou a abaixar a cabeça.
Ajoelhei-me aos seus pés, pegando-lhe as mãos.
Elas estavam tão frias. Senti-as inertes.
Ele estava como eu, mas eu me sentia mais viva.
Decidi que o faria ficar tão vivo quanto eu.
Comecei a lhe falar palavras de carinho
e beijei-lhe as mãos.
Lágrimas começaram a rolar de seus olhos,
mas eles continuavam a olhar o infinito.
Sentei-me perto dele e o abracei.
Ele começa então a soluçar.
Meu coração alegrou-se.
Estava conseguindo me comunicar.
Aos poucos ele foi ficando mais aquecido
e o tremor que havia notado antes,
em seu corpo frágil,
agora desaparecia ao toque de minhas mãos.
Choramos juntos. Abraçamo-nos.
Nenhuma palavra mais foi pronunciada.
Havíamos nos encontrado.
Envolvi-o no calor do meu corpo e
levei-o para o nosso lar.
Aquele que estava preparando para nós dois,
durante os últimos meses.
Cuidei dele com todo o amor,
que um dia havia reprimido.
Ele foi recuperando-se aos poucos.
E eu fui a fiel companheira que um dia ansiei ser.
Juntos agora estamos. Sempre. Inseparáveis.
Nos amamos, passeamos e aprendemos muito.
Todos os dias.
Buscamos juntos,
aprender com nossos erros passados.
Sei que a vida nos reserva mais uma vez,
a saudade necessária para crescermos
o tanto que nos recusamos a crescer
em nossa última existência juntos.
Agora teremos que fazer isto separados.
Mas enquanto esperamos,
continuamos a nos amar.
E a passear de mãos dadas.
E assim guardaremos estas lembranças
dentro de nossos corações.
Elas serão o nosso alimento secreto
para nos nutrir quando novamente o desespero
nos visitar e sentirmo-nos frágeis
para continuar nossa caminhada.
Estas lembranças,
que estarão guardadas dentro de nossa alma,
nos darão forças para prosseguirmos
e da próxima vez,
rogamos a Deus, não mais falhar.
E no futuro com certeza
ficaremos juntos novamente,
para nunca mais dizer adeus.
DO LIVRO: AMOR, IDIOMA UNIVERSAL.
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