Um homem caminhava solitário por uma floresta.
Sentia dentro de si muito mais solidão do que realmente
existia em
sua vida.
A certa altura do caminho, sentou para descansar e escutou
um barulho de água. Provavelmente um riacho achava-se por
perto.
Levantou quase imediatamente e só então percebeu que a
sede lhe
estava insuportável.
"Que estranho, - pensou - até agora não havia percebido
como
estava necessitado de água".
Mas não dando muita importância a isto, foi em busca de sua
fonte da
vida, que a água imaginada se tornara.
Continuava a seguir o ruído, mas parecia que ele se afastava
sempre que acreditava estar se aproximando.
Agora o esgotamento parecia muito maior do que a momentos
atrás.
A sede então estava insuportável.
Quando depois de um tempo indeterminado, não conseguindo
mais dar nenhum passo sequer, sentou-se no chão e
começou a chorar.
"Deus, onde está que não me ouve? Estou a morrer de sede e
cansaço e parece que a água foge de mim. Porque não a
encontro?"
Não saberia como foi que aconteceu, mas logo à sua frente
visualizou um lindo e aconchegante riacho emoldurado por
flores silvestres de rara beleza.
Desesperado nem deu muita importância a beleza que se
apresentava a sua frente. Jogou-se para frente quase se
arrastando em direção a água cristalina e nem a saboreou.
Bebia sofregamente quase engasgando.
Depois de já sentir-se satisfeito, sentou-se à beira do belo
riacho
e resolveu contemplá-lo.
Realmente era um lugar de sonhos. As plantas à volta,
pareciam fazer parte de alguma pintura de talentoso artista
que conseguira captar tal beleza e colocá-la em um quadro.
Pensando bem, realmente não parecia mesmo um lugar real.
Ficou a admirar e um sono apossou-o e ele deitou na delicada
relva. Acomodou-se como um bebê e adormeceu por sabe lá
quanto tempo.
Quando acordou o sol ainda se fazia presente. Ele ainda
estava diante daquele riacho. Ficou pensando como tudo
acontecera. Estava cobrando a
Deus por tê-lo abandonado.
"O que o desespero faz com a gente. Me perdoe meu Deus.
Estava cansado e com sede. Pensei que tivesse me
abandonado e o senhor me atendeu.
Muito obrigado".
Dizendo isso para si mesmo, levantou, depois de se abastecer
com uma boa quantidade de água em um jarro que levava
consigo e preparou-se para seguir
viagem.
Mas então percebeu que havia outro homem também à beira
do riacho.
"Olá! Não o havia visto. Lindo lugar este! Não é?"
"Sim - disse o outro - todos os lugares no mundo, são lindos
como este, porque todos são obras de meu Pai.".
O homem solitário, achando graça da expressão uma pouco
beata do
outro, disse:
"É, todos os lugares que tem aquilo que necessitamos,
quando
precisamos".
"Onde é que o senhor não encontra o que necessitas?"
"Bem, se eu encontrasse um lugar tão lindo quanto este, mas
sem água, com a sede que estava, não seria tão lindo aos
meus olhos".
Disse o homem solitário, rindo ironicamente acreditado que
havia
conseguido deixar o outro sem resposta.
"E onde estão as maiores necessidades do homem?"
-
perguntou o estranho, para o homem solitário.
"Ora, estão na água, na comida, no abrigo. Onde
encontrarmos
isto, estaremos satisfeitos, não é?"
"E qual era a tua necessidade antes de sentires sede?"
O homem solitário pensou, pensou e não conseguia encontrar
resposta.
"Não lembro de nada mais importante naquele momento do
que a
água que este maravilhoso riacho me ofereceu".
"Então vá agora e doe aqueles que encontrares aquilo que te
fazia falta e já não lembras mais. Ensina-os a sentirem sede e
traga-os para este riacho que esquecerão da solidão assim
como vós esquecestes".
O homem solitário só então se lembrou de que realmente,
antes de ouvir o barulho da água, sofria imensamente
sentindo-se muito solitário e abandonado por todos.
Nem mesmo sabia porque deste sentimento, mas tanto tempo
naquela floresta lhe dera a sensação de solidão insuportável
até então desconhecida para ele.
E o que era mais estranho de tudo isto era que agora já não
mais sentia-se assim.
Olhou novamente em direção onde estava o estranho para lhe
dizer como adivinhara o que ele estava sentindo antes na
floresta se nem mesmo o
conhecia então.
Mas o lugar onde o estranho estava sentado até instantes
atrás estava vazio de gente. Mas havia algo em cima da pedra
onde antes sentava-se o
estranho.
O homem solitário, que agora já não era mais solitário,
aproximou-se e tocou em uma espécie de coroa de flores.
Agora lembrava-se que o estranho estivera o tempo todo
fazendo algo com as mãos, mas ele não se interessara em
saber o que era.
Pegando na mão a pequena coroa de flores, sentiu uma
picada e só então notou que no meio de tantas flores lindas,
havia um pequenino espinho.
Seu dedo sangrou, mas ele não se mexeu. Sentiu algo
estranho dentro de si. Seus olhos começaram a lagrimejar e
então ouviu:
"Enquanto houver irmãos com sede de entendimento,
esperança e amor, não conseguirei retirar todos os espinhos
de minha coroa. Ajuda-me e socorrer aqueles que de ti
necessitares. Estará ajudando-me a retirar o último espinho
que ainda resta".
O homem não mais solitário guardou a coroa em suas coisas
e seguiu adiante sem olhar o caminho escolhido e nem para
onde o levaria. Sabia que qualquer que fosse o caminho
escolhido, encontraria o que desejava.
ATENDIMENTO E CURSOS

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