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sexta-feira, 22 de maio de 2026

A PEDIDO DE JESUS

  


Um homem caminhava solitário por uma floresta.

Sentia dentro de si muito mais solidão do que realmente

existia em sua vida.

A certa altura do caminho, sentou para descansar e escutou

um barulho de água. Provavelmente um riacho achava-se por

perto.

Levantou quase imediatamente e só então percebeu que a

sede lhe estava insuportável.

"Que estranho, - pensou - até agora não havia percebido

como estava necessitado de água".

Mas não dando muita importância a isto, foi em busca de sua

fonte da vida, que a água imaginada se tornara.

Continuava a seguir o ruído, mas parecia que ele se afastava

sempre que acreditava estar se aproximando.

Agora o esgotamento parecia muito maior do que a momentos

atrás.

A sede então estava insuportável.

Quando depois de um tempo indeterminado, não conseguindo

mais dar nenhum passo sequer, sentou-se no chão e

começou a chorar.

"Deus, onde está que não me ouve? Estou a morrer de sede e

cansaço e parece que a água foge de mim. Porque não a

encontro?"

Não saberia como foi que aconteceu, mas logo à sua frente

visualizou um lindo e aconchegante riacho emoldurado por

flores silvestres de rara beleza.

Desesperado nem deu muita importância a beleza que se

apresentava a sua frente. Jogou-se para frente quase se

arrastando em direção a água cristalina e nem a saboreou.

Bebia sofregamente quase engasgando.

Depois de já sentir-se satisfeito, sentou-se à beira do belo

riacho e resolveu contemplá-lo.

Realmente era um lugar de sonhos. As plantas à volta,

pareciam fazer parte de alguma pintura de talentoso artista

que conseguira captar tal beleza e colocá-la em um quadro.

Pensando bem, realmente não parecia mesmo um lugar real.

Ficou a admirar e um sono apossou-o e ele deitou na delicada

relva. Acomodou-se como um bebê e adormeceu por sabe lá

quanto tempo.

Quando acordou o sol ainda se fazia presente. Ele ainda

estava diante daquele riacho. Ficou pensando como tudo

acontecera. Estava cobrando a Deus por tê-lo abandonado.

"O que o desespero faz com a gente. Me perdoe meu Deus.

Estava cansado e com sede. Pensei que tivesse me

abandonado e o senhor me atendeu. Muito obrigado".

Dizendo isso para si mesmo, levantou, depois de se abastecer

com uma boa quantidade de água em um jarro que levava

consigo e preparou-se para seguir viagem.

Mas então percebeu que havia outro homem também à beira

do riacho.

"Olá! Não o havia visto. Lindo lugar este! Não é?"

"Sim - disse o outro - todos os lugares no mundo, são lindos

como este, porque todos são obras de meu Pai.".

O homem solitário, achando graça da expressão uma pouco

beata do outro, disse:

"É, todos os lugares que tem aquilo que necessitamos,

quando precisamos".

"Onde é que o senhor não encontra o que necessitas?"

"Bem, se eu encontrasse um lugar tão lindo quanto este, mas

sem água, com a sede que estava, não seria tão lindo aos

meus olhos".

Disse o homem solitário, rindo ironicamente acreditado que

havia conseguido deixar o outro sem resposta.

"E onde estão as maiores necessidades do homem?"

- perguntou o estranho, para o homem solitário.

"Ora, estão na água, na comida, no abrigo. Onde

encontrarmos isto, estaremos satisfeitos, não é?"

"E qual era a tua necessidade antes de sentires sede?"

O homem solitário pensou, pensou e não conseguia encontrar

resposta.

"Não lembro de nada mais importante naquele momento do

que a água que este maravilhoso riacho me ofereceu".

"Então vá agora e doe aqueles que encontrares aquilo que te

fazia falta e já não lembras mais. Ensina-os a sentirem sede e

traga-os para este riacho que esquecerão da solidão assim

como vós esquecestes".

O homem solitário só então se lembrou de que realmente,

antes de ouvir o barulho da água, sofria imensamente

sentindo-se muito solitário e abandonado por todos.

Nem mesmo sabia porque deste sentimento, mas tanto tempo

naquela floresta lhe dera a sensação de solidão insuportável

até então desconhecida para ele. 

E o que era mais estranho de tudo isto era que agora já não

mais sentia-se assim.

Olhou novamente em direção onde estava o estranho para lhe

dizer como adivinhara o que ele estava sentindo antes na

floresta se nem mesmo o conhecia então.

Mas o lugar onde o estranho estava sentado até instantes

atrás estava vazio de gente. Mas havia algo em cima da pedra

onde antes sentava-se o estranho.

O homem solitário, que agora já não era mais solitário,

aproximou-se e tocou em uma espécie de coroa de flores.

Agora lembrava-se que o estranho estivera o tempo todo

fazendo algo com as mãos, mas ele não se interessara em

saber o que era.

Pegando na mão a pequena coroa de flores, sentiu uma

picada e só então notou que no meio de tantas flores lindas,

havia um pequenino espinho.

Seu dedo sangrou, mas ele não se mexeu. Sentiu algo

estranho dentro de si. Seus olhos começaram a lagrimejar e

então ouviu:

"Enquanto houver irmãos com sede de entendimento,

esperança e amor, não conseguirei retirar todos os espinhos

de minha coroa. Ajuda-me e socorrer aqueles que de ti

necessitares. Estará ajudando-me a retirar o último espinho

que ainda resta".

O homem não mais solitário guardou a coroa em suas coisas

e seguiu adiante sem olhar o caminho escolhido e nem para

onde o levaria. Sabia que qualquer que fosse o caminho

escolhido, encontraria o que desejava.


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